Situado na região Sul do continente africano, e com uma população estimada em mais de 31 milhões de pessoas em 2023, das quais quase metade tem menos de 15 anos, Moçambique tem uma população maioritariamente jovem.
Quase dois terços da população vivem na área rural, sendo que 48,4% da população total vive abaixo da linha da pobreza com renda inferior a US$ 1,90 por dia, com 8 em cada 10 pessoas pobres vivendo em áreas rurais.
A esperança de vida à nascença é de 58 anos para os homens e 62 anos para as mulheres e 8,9 % do produto interno bruto do país é investido na saúde, sendo grande parte do investimento proveniente de doadores internacionais. Em 2016, apenas 0,8 profissionais de saúde (médicos, enfermagem, saúde materno-infantil) estavam disponíveis por 1.000 habitantes, e apenas 1 unidade de saúde por 16.855 habitantes em 2018.
Sendo nossa missão melhorar a vida das comunidades rumo ao bem-estar, o direito à saúde é uma área imprescindível para nossa actuação, sustentada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, que define que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe e a sua família, saúde e bem-estar.
O direito à assistência médica foi consagrada há anos, com destaque para a constituição da república em 2004. Este e todos outros instrumentos criados para garantir maior acesso à saúde e consequentemente um bem-estar social precisam ser difundidos e esclarecidos aos cidadãos, pois a informação é um instrumento importante para a consciência humana.
Em Moçambique, o acesso aos serviços de saúde convencionais e aos medicamentos ainda constituem um grave problema de saúde pública, principalmente nas comunidades rurais.
Um estudo realizado em 2018 revelou que as pessoas que vivem no ambiente rural, os quintis socioeconómicos menos instruídos e os mais pobres têm pior acesso à saúde do que os seus congéneres urbanos, mais instruídos e mais ricos.
As categorias desfavorecidas têm simultaneamente maior prevalência de necessidades de saúde e problemas de saúde mais graves. As maiores barreiras ao acesso aos cuidados de saúde, são em particular a distância e/ou a falta de transporte para as unidades sanitárias. Longos períodos de espera e falta de medicamentos são altamente prevalecentes ns serviços públicos de saúde.
Acreditamos que identificando as potenciais barreiras ajudarão a definir, contextualizar e implementar estratégias que visam garantir que aqueles com dificuldades de acesso à determinados serviços de saúde tenham a oportunidade de se beneficiar dos diversos serviços de saúde.
continua sendo uma das maiores ameaças à saúde global de nossa era. Actualmente, Moçambique tem a sexta prevalência do HIV mais alta do mundo e está na quarta posição em termos de novas infecções pelo HIV atrás da África do Sul, Nigéria e Rússia.
Apesar do registo de reduções do número de novas de infecções de 160 mil em 2010, para 130 mil novas infeções em 2020, este valor está aquém da meta de 60 mil para 2020. As raparigas adolescentes e mulheres adultas contribuem de forma substancial para o número de novas infecções e por isso merecem especial atenção.
Acreditamos que, utilizando a abordagem do “foco para o impacto” para a definição e implementação de estratégias eficazes orientadas para a mudança social e comportamental por parte das populações vulneráveis e populações-chave, podemos mitigar significativamente os índices de novas infecções e mortes causadas pelo HIV/SIDA.es
Com uma taxa de incidência de 551/100.000 em 2017, Moçambique tem se mostrado também um dos países com alta carga de Tuberculose (TB), resultando em 159.000 novos casos cada ano.
A Tuberculose tem se mostrado a doença oportunista mais comum e a principal causa de morte. Sendo que, 96% dos novos pacientes com TB são testados para HIV e 40% dos pacientes com TB em Moçambique estão co-infectados com HIV.
A MediCasa acredita que, através de pesquisas de campo e implementação de estratégias profícuas de engajamento comunitário a grupos-chave, o índice de prevalência da Tuberculose pode registar uma redução significativa.